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domingo, 1 de janeiro de 2012

Como diria Caetano...



Tempo, tempo, tempo...

É inquestionável a importância  dos patrimônios culturais, sejam materiais ou imateriais, eles são símbolos e componentes da memória de um povo, de seu trajeto e, acima de tudo, é materialização destes entes.

Viver é recordar os momentos felizes de uma jornada. O que seria do homem se não pudesse relembrar o passado?

Marcos históricos, arquitetônicos, literários, postulados e humanísticos que ultrapassam as fronteiras seculares e persistem em ser uma ponte que liga o passado à contemporaneidade. Toda sociedade colaborou diretamente para consolidação do crescimento e genialidade humana.

Ainda neste clima festivo de transição para 2012, sentimos o vigor da felicidade dos atos vividos no ano que ficou, ou ainda, a tristeza do que não foi feito... Enfim, vemos na cabeça um clipe sobre tudo que passou...

E nada melhor para reviver que caminhar atentamente no Benfica. Bairro histórico e universitário da capital cearense que é conhecido pela inúmera quantidade de artigos arquitetônicos do período colonial.

E no ultimo dia do ano, 31 de dezembro, o casarão rosado (Chácara Dona Rosa), situado na Rua Marechal Deodoro, próximo ao Campus de Humanidades da Universidade Federal do Ceará - UFC, foi demolido bruscamente para construção de quitinetes, como afirma moradores circunvizinhos.

De acordo com Romeu Duarte, professor de arquitetura da UFC e membro do Conselho Municipal de Patrimônio, o exemplar era único e especial, pois constituía-se de uma tipologia arquitetônica extinta. O professor ainda cita que o desafio da preservação patrimonial é cada vez mais atribulador, uma vez que o mercado imobiliário, em uma capital macrocefálica, faz vibrar a roda econômica.

Tal como se parafraseasse Caetano Veloso: "A força da grana que ergue e destrói coisas belas"

Os moradores da vizinhança ainda assustados, aflitos e decepcionados, sentem o pesar da demolição do casarão e a ineficiência do poder público em não ter efetivado com agilidade o tombamento deste recorte histórico, uma vez, reconhecida sua importância para história cearense.

O que era histórico, hoje é apenas poeira. A Construtora Douglas, atual proprietária do Imóvel, não se manifesta acerca do ocorrido.

Enquanto recordamos as roupas que usamos, somos roubados e usurpados de nossa própria história. Nos tomam levianamente os direitos humanos expressos no artigo XXVII e, ainda consolidam a morte de um ente fundamental, a memória... Cidade sem passado, é cidade sem futuro

"1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.    

2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
"

Pronto, falei...

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