É inquestionável a importância dos patrimônios culturais, sejam materiais ou imateriais, eles são símbolos e componentes da memória de um povo, de seu trajeto e, acima de tudo, é materialização destes entes.
Viver é recordar os momentos felizes de uma jornada. O que seria do homem se não pudesse relembrar o passado?
Marcos históricos, arquitetônicos, literários, postulados e humanísticos que ultrapassam as fronteiras seculares e persistem em ser uma ponte que liga o passado à contemporaneidade. Toda sociedade colaborou diretamente para consolidação do crescimento e genialidade humana.
Ainda neste clima festivo de transição para 2012, sentimos o vigor da felicidade dos atos vividos no ano que ficou, ou ainda, a tristeza do que não foi feito... Enfim, vemos na cabeça um clipe sobre tudo que passou...
E nada melhor para reviver que caminhar atentamente no Benfica. Bairro histórico e universitário da capital cearense que é conhecido pela inúmera quantidade de artigos arquitetônicos do período colonial.
E no ultimo dia do ano, 31 de dezembro, o casarão rosado (Chácara Dona Rosa), situado na Rua Marechal Deodoro, próximo ao Campus de Humanidades da Universidade Federal do Ceará - UFC, foi demolido bruscamente para construção de quitinetes, como afirma moradores circunvizinhos.
De acordo com Romeu Duarte, professor de arquitetura da UFC e membro do Conselho Municipal de Patrimônio, o exemplar era único e especial, pois constituía-se de uma tipologia arquitetônica extinta. O professor ainda cita que o desafio da preservação patrimonial é cada vez mais atribulador, uma vez que o mercado imobiliário, em uma capital macrocefálica, faz vibrar a roda econômica.
Tal como se parafraseasse Caetano Veloso: "A força da grana que ergue e destrói coisas belas"
Os moradores da vizinhança ainda assustados, aflitos e decepcionados, sentem o pesar da demolição do casarão e a ineficiência do poder público em não ter efetivado com agilidade o tombamento deste recorte histórico, uma vez, reconhecida sua importância para história cearense.
O que era histórico, hoje é apenas poeira. A Construtora Douglas, atual proprietária do Imóvel, não se manifesta acerca do ocorrido.
Enquanto recordamos as roupas que usamos, somos roubados e usurpados de nossa própria história. Nos tomam levianamente os direitos humanos expressos no artigo XXVII e, ainda consolidam a morte de um ente fundamental, a memória... Cidade sem passado, é cidade sem futuro
"1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
"1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor."
Pronto, falei...

Nenhum comentário:
Postar um comentário