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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Brasil? Um país de todos!?




Ao ouvir a palavra “Brasil”, instantaneamente, surgem imagens relativas ao futebol, ao samba e ao carnaval, porém, diferente da concepção popular criada sobre o país, é necessário observá-lo sob a ótica dos fatos.
Com proporções continentais e com uma ampla diversidade cultural, é impossível delinear uma imagem concreta de Brasil. É de fácil percepção que o regionalismo despontou características específicas em cada ponto da nação, não somente nos parâmetros econômicos e culturais, mas, em especial, nos desafios de desenvolvimento social.
Em observação nacional, debater e analisar a situação brasileira perante os desafios e as demandas sociais sempre foi um imenso paradigma. A história de nosso país sempre esteve recheada de fatos e práticas em que se evidencia a sobreposição da população dotada do saberes educacionais sobre a população marginalizada economicamente. Sem dúvida alguma, as disparidades econômicas são reflexos diretos da defasagem e crise do sistema educacional brasileiro, com ênfase no sistema público. Um grande desafio brasileiro é o desenvolvimento de uma educação de qualidade acessível às classes populares e socialmente referenciada, uma vez que ao melhorar o serviço educacional, potencializa o combate a outras precariedades sociais.
Segundo Paulo Freire, é necessário investir em educação para poder transformar a realidade, pois, somente ela tem o poder de incentivar o indivíduo a pensar e, assim, dar base para que ele possa modificar o mundo que o rodeia. Quando não se há educação, gera-se um ciclo vicioso de influências, por exemplo, a falta de formação e experiência dos pais reflete diretamente na formação de seus filhos, exercendo coerção social sobre os novos agentes e, influenciando diretamente nas decisões deles. Sendo assim, é necessário estimular os diversos entes a desenvolverem seu espírito protagonista e o questionamento acerca da realidade, de modo que, a partir do questionamento, eles possam ser mentes em ação para transformação do fato individual, afim de interagir positivamente na interdependencia coletiva.
O Ministério da Educação Brasileira, em 1999, assinou o termo de adesão para prática do Programa de Educação do Século XXI da ONU. O programa citado baseia-se no emprego de quatro pilares cognitivos (Aprender a Ser, Conhecer, Fazer e Conviver) que serão norteadores dos processos educacionais. Porém, doze anos depois, tal metodologia ainda não é empregada com eficácia em todo território nacional. E a inferência se torna concreta, quando se observa que não existem as estruturas básicas para o desenvolvimento da atividade didática nos rincões brasileiros além, de não contemplar as necessidades de cada região e, o fracasso da educação, intervém nos principais setores básicos, como a economia, meio ambiente, saúde, e tantos outros.
Pode-se perceber nitidamente a existência de barreiras nos processos educacionais, em especial, pela necessidade demandada de tempo para outras atividades, como a inserção precoce no campo mercadológico através do emprego. De acordo com Maslow, todo ser tem uma cadeia sequenciada de necessidades, no ser humano, é necessário primeiro se contemplar as necessidades biológicas (alimentar-se e saciar a sede) do que a realização pessoal (aquisição de conhecimentos).  Logo, é perceptível que ambos caminham de mãos dadas, a medida que se avança no setor educacional, avança-se também nas necessidades dos indivíduos, porém, é preciso antes disso, garantir os direitos básicos e humanísticos de acesso a alimentação.
            Observando o cenário internacional podemos ter como exemplo o Japão. Devastado na Segunda Guerra Mundial, investiu maciçamente em educação e, hoje, encontra-se entre os países mais influentes do mundo.
            Nesse sentido, pode-se perceber que a educação tem papel transformador para o indivíduo, porém, este deve estar incluso de forma ativa e como uma engrenagem fundamental de todos os processos. É necessário integrar e coletivizar a atividade pedagógica, de forma que a educação seja vista de forma horizontal e possa ser um instrumento acessível para ascensão social.
            De pouco vale, enquanto brasileiros, sermos a sexta maior economia do mundo se não houver um investimento e olhares focados no desenvolvimento do setor educacional. Um país não é capaz de desenvolver-se sem trazer consigo seu povo, portanto, se esperamos o crescimento da nação é imprescindível começar-se a pensar políticas públicas e ações de inclusão dos indivíduos no novo contexto de mundo, através do conhecimento.
            De que adianta ter um tamanho gigantesco, contudo, no interior apresentar lacunas que devem ser preenchidas? Somente a participação social pode ser a ferramenta para o preenchimento dessas lacunas e, somente o ensino pode formar capital intelectual capaz de fomentar o espírito crítico que tanto precisamos para evoluir e proporcionar as mudanças necessárias que o nosso povo tanto almeja.
            Afinal, nem só de samba precisam os “Brasis”.

Pronto, falei...

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