Ao
ouvir a palavra “Brasil”, instantaneamente, surgem imagens relativas
ao futebol, ao samba e ao carnaval, porém, diferente da concepção popular
criada sobre o país, é necessário observá-lo sob a ótica dos fatos.
Com proporções continentais e com uma
ampla diversidade cultural, é impossível delinear uma imagem concreta de
Brasil. É de fácil percepção que o regionalismo despontou características
específicas em cada ponto da nação, não somente nos parâmetros econômicos e
culturais, mas, em especial, nos desafios de desenvolvimento social.
Em observação nacional, debater e
analisar a situação brasileira perante os desafios e as demandas sociais sempre
foi um imenso paradigma. A história de nosso país sempre esteve recheada de
fatos e práticas em que se evidencia a sobreposição da população dotada do
saberes educacionais sobre a população marginalizada economicamente. Sem dúvida
alguma, as disparidades econômicas são reflexos diretos da defasagem e crise do
sistema educacional brasileiro, com ênfase no sistema público. Um grande
desafio brasileiro é o desenvolvimento de uma educação de qualidade acessível às
classes populares e socialmente referenciada, uma vez que ao melhorar o serviço
educacional, potencializa o combate a outras precariedades sociais.
Segundo Paulo Freire, é necessário
investir em educação para poder transformar a realidade, pois, somente ela tem
o poder de incentivar o indivíduo a pensar e, assim, dar base para que ele
possa modificar o mundo que o rodeia. Quando não se há educação, gera-se um
ciclo vicioso de influências, por exemplo, a falta de formação e experiência
dos pais reflete diretamente na formação de seus filhos, exercendo coerção
social sobre os novos agentes e, influenciando diretamente nas decisões deles. Sendo
assim, é necessário estimular os diversos entes a desenvolverem seu espírito
protagonista e o questionamento acerca da realidade, de modo que, a partir do
questionamento, eles possam ser mentes em ação para transformação do fato
individual, afim de interagir positivamente na interdependencia coletiva.
O Ministério da Educação Brasileira, em
1999, assinou o termo de adesão para prática do Programa de Educação do Século
XXI da ONU. O programa citado baseia-se no emprego de quatro pilares cognitivos
(Aprender a Ser, Conhecer, Fazer e Conviver) que serão norteadores dos
processos educacionais. Porém, doze anos depois, tal metodologia ainda não é
empregada com eficácia em todo território nacional. E a inferência se torna
concreta, quando se observa que não existem as estruturas básicas para o
desenvolvimento da atividade didática nos rincões brasileiros além, de não
contemplar as necessidades de cada região e, o fracasso da educação, intervém
nos principais setores básicos, como a economia, meio ambiente, saúde, e tantos
outros.
Pode-se perceber nitidamente a existência de barreiras nos processos educacionais, em especial, pela necessidade
demandada de tempo para outras atividades, como a inserção precoce no campo
mercadológico através do emprego. De acordo com Maslow, todo ser tem uma cadeia
sequenciada de necessidades, no ser humano, é necessário primeiro se contemplar
as necessidades biológicas (alimentar-se e saciar a sede) do que a realização
pessoal (aquisição de conhecimentos).
Logo, é perceptível que ambos caminham de mãos dadas, a medida que se
avança no setor educacional, avança-se também nas necessidades dos indivíduos,
porém, é preciso antes disso, garantir os direitos básicos e humanísticos de
acesso a alimentação.
Observando o cenário internacional
podemos ter como exemplo o Japão. Devastado na Segunda Guerra Mundial, investiu
maciçamente em educação e, hoje, encontra-se entre os países mais influentes do
mundo.
Nesse sentido, pode-se perceber que
a educação tem papel transformador para o indivíduo, porém, este deve estar
incluso de forma ativa e como uma engrenagem fundamental de todos os processos.
É necessário integrar e coletivizar a atividade pedagógica, de forma que a
educação seja vista de forma horizontal e possa ser um instrumento acessível
para ascensão social.
De pouco vale, enquanto brasileiros,
sermos a sexta maior economia do mundo se não houver um investimento e olhares
focados no desenvolvimento do setor educacional. Um país não é capaz de
desenvolver-se sem trazer consigo seu povo, portanto, se esperamos o
crescimento da nação é imprescindível começar-se a pensar políticas públicas e
ações de inclusão dos indivíduos no novo contexto de mundo, através do
conhecimento.
De que adianta ter um tamanho
gigantesco, contudo, no interior apresentar lacunas que devem ser preenchidas?
Somente a participação social pode ser a ferramenta para o preenchimento dessas
lacunas e, somente o ensino pode formar capital intelectual capaz de fomentar o
espírito crítico que tanto precisamos para evoluir e proporcionar as mudanças
necessárias que o nosso povo tanto almeja.
Afinal, nem só de samba precisam os
“Brasis”.
Pronto, falei...
Pronto, falei...

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